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Trump reacende risco de guerra comercial

O governo brasileiro já recorreu ao Departamento de Comércio dos EUA na tentativa de evitar que o aço e o alumínio exportados para lá sejam sobretaxados.

4 MAR 2018 Por Folhapress 05h:15
A decisão do presidente Donald Trump, de impor tarifas à importação de aço e alumínio no país deflagrou uma onda de descontentamento. A decisão do presidente Donald Trump, de impor tarifas à importação de aço e alumínio no país deflagrou uma onda de descontentamento. / Fotos Públicas/Divulgação

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas à importação de aço e alumínio no país deflagrou uma onda de descontentamento, com chances de evoluir para uma guerra comercial global.
Trump disse que vai impor tarifas de importação para aço e alumínio de 25% e 10%, respectivamente.

França, Austrália e China foram algumas das nações que criticaram publicamente a medida. O Canadá, maior fornecedor de aço aos EUA, disse que tomará medidas favoráveis para defender os interesses comerciais e de seus trabalhadores.

O governo brasileiro já recorreu ao Departamento de Comércio dos EUA na tentativa de evitar que o aço e o alumínio exportados para lá sejam sobretaxados. Se a estratégia não der resultado, o Brasil vai sozinho à OMC (Organização Mundial do Comércio) contra os EUA.

Nesta terça-feira (27), na conversa com o secretário de Comércio dos EUA, Wilburn Ross, o ministro interino da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, se convenceu de que, apesar dos argumentos favoráveis ao Brasil, a decisão final será anunciada por Trump.

A delegação brasileira mostrou que 80% do aço exportado é semiacabado, ou seja, é finalizado pela indústria americana. Além disso, para exportar esse aço, o Brasil importa um carvão específico que vem dos EUA.
O Brasil prefere adotar um caminho diplomático e recorrerá da decisão diretamente aos EUA caso seja mantido na lista de países sobretaxados que será divulgada nas próximas semanas.

Se falhar, o governo brasileiro não deverá se aliar a outros países que estudam recorrer em grupo à OMC (Organização Mundial do Comércio). Os representantes brasileiros acreditam que seria mais fácil conseguir a vitória e mais rapidamente se ingressarem sozinhos no caso.

UNIÃO EUROPEIA

Em uma resposta mais rápida e dura, a União Europeia disse que, caso seja atingida, não terá escolha a não ser questionar as tarifas na OMC e impor suas próprias taxas e outras medidas de retaliação.

"Estamos discutindo diferentes medidas. Tudo, desde levar o caso à OMC, sozinha ou com parceiros afetados, e também medidas de proteção e possível retaliação", disse Cecilia Malmstrom, chefe de comércio da UE.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, sugeriu que o bloco poderia mirar produtos tipicamente americanos, como motos Harley-Davidson, uísque bourbon e jeans Levi's.

"Não gosto de usar as palavras 'guerra comercial', mas não consigo ver como isso não faz parte de um comportamento de guerra", disse.

As autoridades da UE estão preocupadas com a possibilidade de que as tarifas norte-americanas levem aço que seria destinado aos Estados Unidos para o mercado europeu, o que agravaria ainda mais os problemas do setor siderúrgico da Europa.

"Uma guerra comercial entre a Europa e os EUA só terá perdedores", afirmou o ministro de Finanças francês, Bruno Le Maire.

Malmstrom disse que era provável que a OMC lançasse uma investigação de salvaguarda sobre as importações, o que poderia resultar em tarifas europeias sobre o aço e o alumínio importado.

Sob as regras da OMC, um país membro pode adotar medidas de salvaguarda para a restrição temporária da importação de um dado produto se um setor nacional estiver sob ameaça devido a uma alta forte de importações.

EFEITO DOMINÓ

Diante do quadro, Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC, disse que o órgão está preocupado.
"O potencial de escalada é real, como vimos a partir das respostas iniciais", afirmou, completando que "uma guerra comercial não é de interesse de ninguém."

O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou que as restrições vão causar danos econômicos generalizados, incluindo para a economia dos EUA, e pediu a Washington e seus parceiros comerciais que resolvam desavenças.

"As restrições às importações anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos devem causar danos não só fora dos EUA, mas também para a própria economia dos EUA, incluindo as indústrias manufatureira e de construção, que são os principais consumidores de alumínio e aço", disse o FMI em um curto comunicado.

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