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É um tempo muito assustador para homens jovens nos EUA, diz Trump

O presidente afirmou que a máxima 'inocente até provado culpado" se transformou em "culpado até provado inocente'

2 OUT 2018 Por Folhapress 21h:40
Os comentários foram feitos enquanto Trump deixava a Casa Branca Os comentários foram feitos enquanto Trump deixava a Casa Branca / Associated Press

Os tempos são assustadores para homens jovens nos Estados Unidos. Com a declaração, o presidente americano, Donald Trump, voltou a defender nesta terça-feira (2) o juiz Brett Kavanaugh, indicado à Suprema Corte do país e acusado por três mulheres de assédio sexual.

Para Trump, é uma "situação assustadora "quando você é "culpado até provar que é inocente."

"É um tempo muito assustador para homens jovens nos EUA, quando você pode ser culpado de algo de que você pode não ser culpado", disse. "É um tempo muito difícil."

Segundo Trump, você pode ter sido "perfeito" a vida inteira e "alguém pode acusar você de algo -não necessariamente tem que ser uma mulher-, mas alguém pode acusar você de algo e você automaticamente se torna culpado."

O presidente afirmou que a máxima "inocente até provado culpado" se transformou em "culpado até provado inocente."

Os comentários foram feitos enquanto Trump deixava a Casa Branca e se assemelham a declarações feitas por seu filho mais velho, Donald Jr., em entrevista ao tabloide britânico Daily Mail.

Questionado sobre se temia mais por seus filhos ou filhas em meio à reação provocada pelas acusações contra Kavanaugh, ele respondeu: "Agora, eu diria por meus filhos...Quando eu vejo o que está acontecendo agora, é assustador".

Nesta terça, Trump afirmou que muita coisa depende da investigação que o FBI (polícia federal americana) realiza sobre as alegações contra o juiz.

"Muita coisa vai depender do que voltar do FBI em termos de sua investigação adicional -número sete", disse.

Ainda assim, o presidente expressou otimismo com que a votação para confirmar Kavanaugh na Suprema Corte ocorra ainda nesta semana. Segundo ele, o juiz está lutando muito por sua reputação e por sua família.

Indicações à Suprema Corte precisam de confirmação no Senado, que é controlado pelos republicanos por uma pequena margem.

Ele também comentou a possibilidade de o juiz ter mentido perante o Congresso. "Eu não acho que você deveria mentir para o Congresso e há muitas pessoas no último ano que mentiram no Congresso", afirmou. "Para mim, isso não seria aceitável."

O jornal The New York Times publicou que o juiz esteve envolvido em uma briga de bar em setembro de 1985, motivo pelo qual chegou a ser questionado pela polícia ao lado de outras quatro pessoas.

Os depoimentos e o relatório policial colocam em questão o comportamento de Kavanaugh e seu relacionamento problemático com bebidas alcoólicas, segundo o Times.

A investigação do FBI sobre Kavanaugh deve ser concluída até sexta (5), mas é possível que os agentes não tenham concluído toda a apuração até lá.

No domingo (30), a conselheira da Casa Branca Kellyanne Conway afirmou ter sido vítima de abuso sexual, assédio e estupro –mas defendeu a indicação de Kavanaugh.

Na última quinta (27), a professora de psicologia Christine Blasey Ford disse que tem 100% de certeza de que foi Kavanaugh que a atacou sexualmente no início da década de 80. O juiz, por sua vez, negou veementemente essa e qualquer outra acusação do tipo.

Os dois sustentaram suas posições até o fim das audiências no Comitê Judiciário do Senado dos EUA, como parte do processo de nomeação do juiz para a mais alta corte do país. As mais de oito horas de depoimentos foram marcadas por nervosismo, choro e embate entre senadores.

Caso Kavanaugh seja aprovado, o equilíbrio da corte será alterado. Ela passará a ter quatro progressistas e cinco conservadores.

Se a nomeação for rejeitada ou trocada, e os democratas consigam maioria em ao menos uma das casas do Congresso nas eleições legislativas de novembro, o processo pode se estender para até depois de 3 de janeiro, quando começa a nova legislatura, o que complicaria a vida de Trump.

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