Cultura

O poder da música nos distúrbios mentais

A musicoterapia é a utilização da música em um contexto clínico, educacional ou social, buscando desenvolver potenciais ou restaurar funções da pessoa

1 OUT 2018 Por Andressa Aricieri 11h:19
A musicoterapia é a utilização da música em um contexto clínico, educacional ou social, buscando desenvolver potenciais ou restaurar funções da pessoa A musicoterapia é a utilização da música em um contexto clínico, educacional ou social, buscando desenvolver potenciais ou restaurar funções da pessoa / Divulgação

A música tem um poder revigorante, relaxante e, muitas vezes, até curativo. Ela pode ser também o refúgio de alguém. Quase todas – senão todas – as pessoas têm aquela que traz várias emoções. Especialistas do mundo todo começaram a indicar o tratamento de musicoterapia para prevenir alguns problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Entretanto, no Brasil esta prática ainda não é muito reconhecida. 

A musicoterapia é a utilização da música em um contexto clínico, educacional ou social, buscando desenvolver potenciais ou restaurar funções da pessoa.

Distúrbios psicológicos são os mais comuns nos dias atuais, considerados o ‘Mal do Século’, podendo chegar a atingir 10% da população brasileira. Ou seja: uma em cada dez pessoas sofre com transtornos ­psicológicos. 

Thayná Soares, 20 anos, sofre com ansiedade desde os 15. Ela contou que sempre gostou de música e, aos 16, entrou na escola que ofertava canto e violão. A partir daí se encontrou. “Tocar violão tinha se tornado meu ‘remédio’. Lembro que fazia de tudo para não ter que sair de casa, mas quando eu ia para a escola de música não tinha problema”, afirma. Hoje, além de escutar, ela também compõe e confessa que escrever a ajuda mais. 

Outra pessoa que sofre com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é G.A., de 17 anos. Segundo ela, sempre foi muito ligada à música e a tudo que tivesse a ver com isso. Conheceu o violino quando tinha 10 anos, mas só pode começar a estudar em março, pois passou em testes para ter aulas gratuitas. 

“Mesmo com terapia e remédios, eu continuava sentindo uma angústia que não me abandonava. A música, pra mim, foi e ainda é como uma válvula de escape. É com ela que eu consigo me expressar, acalmar os ânimos”. 

Para ambas, a música não é somente ritmo e letra. É algo para se dedicar, já que gostam e sempre estiveram em contato de algum jeito. Para Thayná, é significado do sentimento. Já para G. traz benefícios, pois tira o foco de coisas ruins e negativas. 

A psicóloga Thalita Lacerda afirma que a música é capaz de reduzir os sintomas da ansiedade, pois pode alterar a respiração, batimentos cardíacos e até mesmo estimular hormônios que dão sensação de prazer.

“Existem alguns estudos mostrando que, dependendo da adequação das notas e dos sons, elas podem despertar variadas emoções”. 

Ainda de acordo com a psicóloga, a ­musicoterapia é um processo coadjuvante no tratamento ­psicoterápico. Inclusive há casos de pacientes com Alzheimer ou outras patologias cerebrais que mostraram melhora ao entrar em contato com a música.  

Portanto, se alguém não achou o que ajuda a acalmar, é melhor colocar os fones de ouvido e fazer uma playlist musical. Às vezes, a única coisa que está faltando é um pouco de melodia. 

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